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Fruto do El Niño: os impactos que o ciclone pode causar no Brasil
Publicado em 29/08/2025 11:28 • Atualizado 29/08/2025 11:34
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Reprodução/Regional and Mesoscale Meteorology Branch
Ciclone extratropical visto via satélite

inverno de 2025 no Brasil vem sendo marcado por fenômenos típicos da estação, mas que chamam a atenção pela intensidade e frequência. Enquanto nos Estados Unidos o mês de agosto foi formado pela presença de furacões e tornados, o Brasil presenciou frequentes ocorrências de ciclones, principalmente na região Sul.

Para entender melhor o cenário, o Portal iG entrevistou a meteorologista Andrea Ramos, da Defesa Civil do Rio Grande do Sul. Segundo ela, tais eventos estão relacionados a um período de neutralidade climática, que contrasta com os últimos dois anos sob forte influência do El Niño.  

De acordo com a especialista, a ausência de fenômenos como El Niño ou La Niña faz com que o clima siga as características normais da estação. “No inverno, o padrão é a formação de frentes frias acompanhadas de massas de ar frio na retaguarda. Tivemos até episódios de neve em julho. Já agosto, por outro lado, é mais seco, e estamos enfrentando situações de bloqueio atmosférico e umidade relativa abaixo de 15% a 12%, o que em alguns momentos leva à emissão de avisos vermelhos” , explicou Andrea.

No Sul, os ciclones extratropicais também têm feito parte do quadro meteorológico. A meteorologista destaca que esse tipo de sistema é esperado nesta época do ano. “É comum que no inverno um ciclone atue no oceano e se transforme em extratropical, organizando uma frente fria e impulsionando massas de ar na sequência. Esse processo faz parte da dinâmica natural da estação, especialmente em períodos de neutralidade climática” , disse.

A comparação com os anos anteriores ajuda a entender a diferença. Entre 2023 e 2024, o Brasil enfrentou temperaturas acima da média devido ao El Niño. O fenômeno provocou seca em áreas do Norte e Nordeste, enquanto o Sul registrou excesso de chuva.

Agora, a ausência dele trouxe um comportamento mais alinhado ao padrão esperado. “Neste ano, a neutralidade climática permitiu que o inverno fosse realmente caracterizado pelo frio. Julho foi um mês marcante, com temperaturas muito baixas, sobretudo na parte Leste da região Sul, que inclui o centro-oeste do Rio Grande do Sul, além de Santa Catarina e Paraná” , explicou a meteorologista.

Os meteorologistas seguem monitorando a evolução do clima para os próximos meses, mas, por enquanto, a tendência é de que os padrões típicos de cada estação prevaleçam, sem a distorção provocada por fenômenos globais como El Niño ou La Niña.

Fonte :- Fruto do El Niño: os impactos que o ciclone pode causar no Brasil

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