Divulgação/Sabesp
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sistema Cantareira, uma das principais fontes de água para os 22 milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo, chegou na terça-feira (10) a 29% de volume útil de água reservada, segundo informação de painel da Sabesp das 9h.
Os dados indicam aumento do nível no conjunto de reservatórios que compõem o Cantareira desde meados de janeiro, quando o indicador estava abaixo dos 20%, no patamar que poderia ensejar uma limitação ainda maior à retirada de água, que hoje está na segunda pior faixa de operação.
Se janeiro teve apenas 72% da chuva esperada para o mês, segundo dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), fevereiro, indica a página da Sabesp, chegou a 81,5% da chuva esperada para todo o mês até esta terça-feira.
Formado por diferentes reservatórios, o Cantareira compõe, por sua vez, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que marcou nível de 40,65%, de acordo com informação das 10h desta terça.
O aumento nos níveis verificado nos últimos dias ainda não significa uma folga para o abastecimento na capital paulista e na Grande São Paulo. A captação de água do Cantareira segue na faixa de restrição durante fevereiro, que permite a retirada de 23 m³/s (metros cúbicos ou mil litros por segundo) e também tem ajuda do reservatório do rio Jaguari na bacia do Paraíba do Sul. Essa é a quarta de cinco categorias e a segunda mais grave, acionada quando o reservatório está com capacidade entre 20% e 30%.
O sistema metropolitano também segue sob medidas como a redução de pressão no abastecimento das 19h até as 5h, o que tem gerado, na prática, torneiras vazias para moradores de diferentes regiões da cidade de São Paulo, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo.
Apesar do ganho de alguns pontos percentuais, as previsões ainda seguem ruins para o Cantareira. Projeção do Cemaden indica que, desde outubro do ano passado, o sistema está na situação mais difícil já registrada desde a crise hídrica de 2014-2015. "Durante o mês de janeiro de 2026, a precipitação acumulada foi de 72% da média, enquanto a vazão afluente ficou em torno de apenas 50% da média para o período. Esses resultados evidenciam a persistência de um déficit hídrico". Vazão afluente é toda a água que entra em um reservatório, seja pela chuva, seja por rios e outras fontes.
Em um cenário de precipitação 25% acima da média para todo o período chuvoso, diz o Cemaden, o Cantareira chega a 31 de março, referência também para o fim do período de chuvas no Sudeste, com 46% de volume armazenado para enfrentar o período seco. Dentro da média, começa a estiagem com 39%.
Até o momento, considerado o período de outubro de 2025 a janeiro deste ano, choveu 74% da média histórica, segundo o Cemaden.
Fonte :- Com chuvas, Cantareira recupera nível e se aproxima de um terço de capacidade