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Páscoa mais cara: chocolate lidera alta e pressiona preços
Publicado em 11/03/2026 09:59
Notícias
Agência Brasil
Aumento no preço do Chocolate

Páscoa é uma das datas comemorativas mais aguardadas pelos brasileiros e também uma das que mais movimentam o comércio, especialmente no setor de chocolates e alimentos típicos. No entanto, para muitos consumidores, o destaque nas prateleiras não está apenas na variedade de ovos de chocolate, mas também nos preços cada vez mais altos.

Um levantamento realizado pela Rico mostra que, nos últimos cinco anos, os principais itens consumidos durante a Páscoa como chocolates, bombons, açúcar e azeite registraram aumentos acima da inflação média do país.

Entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, o IPCA, índice oficial de inflação ao consumidor, acumulou alta de 33,13%. No mesmo período, a chamada cesta de Páscoa registrou avanço de 50,75%, indicando que os produtos tradicionalmente associados à data ficaram mais caros que a média da economia.

O peso da inflação na Páscoa
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O peso da inflação na Páscoa

“Nos últimos cinco anos, os principais itens consumidos na Páscoa tiveram aumentos bem acima da inflação média do país. Isso mostra que, embora os preços tenham subido de forma geral na economia, os produtos tradicionalmente associados à data ficaram ainda mais caros para o consumidor”, explica Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico.

No entanto, quando analisado um período mais recente, o cenário mostra sinais de alívio. Nos 12 meses até janeiro de 2026, a cesta de Páscoa registrou alta de 2,51%, abaixo do IPCA de 4,44%, movimento que reflete um ambiente de desaceleração inflacionária.

Segundo a analista, essa dinâmica tem relação direta com fatores macroeconômicos.

“Esse movimento tem relação com a política monetária restritiva, com a taxa de juros em 15%, além da apreciação cambial observada desde o ano passado e da maior oferta global de alguns alimentos”, afirma.

Ao detalhar os itens da cesta, os dados mostram comportamentos distintos. No acumulado de cinco anos, chocolate e achocolatado em pó tiveram alta de 85,10%, enquanto chocolate em barra e bombom subiram 78,44%. As frutas registraram aumento de 55,98%, o azeite de oliva avançou 51,56%, os biscoitos tiveram alta de 44,09% e as balas registraram crescimento de 43,46%.

Outros produtos também tiveram aumento relevante no período, como o leite condensado, que acumulou alta de 35,60%, a manteiga, com 32,77%, e o açúcar cristal, que subiu 34%. Já o açúcar refinado apresentou alta ainda maior, de 57,51% entre 2021 e 2025. Os pescados, por sua vez, tiveram aumento mais moderado, de 9,29%.

No recorte de 12 meses, alguns produtos apresentaram queda de preços. O açúcar cristal caiu 10,74%, enquanto o açúcar refinado recuou 4,76%. O azeite de oliva registrou queda de 22,76%, e a manteiga apresentou recuo de 5,53%. Os pescados tiveram leve queda de 0,53%.

Por outro lado, alguns itens continuaram registrando aumento no período recente. As balas subiram 4,42%, os biscoitos tiveram alta de 8,01%, o leite condensado avançou 2,67%, enquanto as frutas tiveram aumento mais moderado, de 0,73%. Já o chocolate e achocolatado em pó subiram 19,06%, e o chocolate em barra e bombom registraram alta de 24,77% nos últimos 12 meses.

Açúcar pressionou preços nos últimos anos

Um dos principais responsáveis pela alta dos itens típicos da Páscoa foi o açúcar, insumo fundamental na cadeia de produção de chocolates, balas e confeitos.

“No caso do açúcar, as altas acumuladas foram resultado de uma combinação de fatores climáticos, logísticos e estruturais que afetaram a oferta global e pressionaram as cotações ao longo dos últimos anos”, explica Maria Giulia.

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Entre 2021 e 2025, o açúcar refinado acumulou alta de 57,51%, enquanto o açúcar cristal subiu 34%.

Ainda assim, o cenário recente aponta mudança de tendência.

“Depois de um período de forte pressão entre 2020 e 2024, vimos um arrefecimento relevante em 2025. A melhora da oferta global e safras mais favoráveis ajudaram a reduzir os preços”, afirma.

Segundo a analista, a queda ocorreu principalmente por causa da melhora da produção global e do aumento da oferta brasileira, o que reduziu a pressão compradora no mercado.

Chocolate continua pressionado mesmo com queda do cacau

Outro destaque na inflação da cesta de Páscoa é o chocolate. Mesmo com a queda recente das cotações internacionais do cacau, os preços do produto final continuam subindo.

“Mesmo com a queda das cotações internacionais do cacau ao longo de 2025, a inflação do chocolate no Brasil seguiu pressionada. Isso acontece porque a indústria trabalha com defasagem no repasse de custos”, explica Maria Giulia.

Segundo ela, muitos produtos vendidos atualmente ainda foram produzidos com insumos comprados em momentos de preços mais altos da commodity.

Além disso, outros fatores continuam pressionando os preços.

“Custos logísticos elevados, reajustes nas embalagens e toda a cadeia de produção impactam o preço final do chocolate, especialmente em um período de forte demanda como a Páscoa”, diz.

Azeite teve forte queda recente

Outro produto tradicional da data que chamou atenção nos dados foi o azeite de oliva.

O produto acumulou alta de 51,56% em cinco anos, mas apresentou queda de 22,76% nos últimos 12 meses.

O azeite chegou a registrar forte alta entre 2023 e 2024, após quebras de safra na Europa, responsável pela maior parte da produção mundial.

“No entanto, o cenário mudou recentemente. A safra europeia melhorou e houve recuperação da produção, o que ajudou a reduzir os preços internacionais e abriu espaço para queda no varejo”, afirma Maria Giulia.

Mesmo assim, o produto ainda segue caro.

“O alívio chegou, mas é parcial. Parte da pressão anterior ainda está sendo diluída, e fatores como câmbio e frete continuam impactando os preços”, explica.

Comparação entre Páscoa de 2026 e 2025

Na comparação entre os dois últimos anos, o levantamento mostra uma desaceleração no ritmo de alta da cesta.

O índice geral de inflação passou de 5,06% em 2025 para 4,44% em 2026, enquanto a cesta de Páscoa saiu de 5,28% para 2,51%.

Alguns itens tiveram reduções mais fortes. O azeite de oliva, por exemplo, saiu de alta de 14,16% em 2025 para queda de 22,76% em 2026.

O açúcar cristal, que registrava queda de 1,06%, passou para recuo de 10,74%, enquanto o açúcar refinado saiu de -0,04% para -4,76%.

Por outro lado, alguns produtos tiveram aumento mais intenso neste ano. O chocolate e achocolatado em pó passou de alta de 12,49% em 2025 para 19,06% em 2026, enquanto o chocolate em barra e bombom avançou de 16,53% para 24,77%.

Apesar de alguns itens ainda registrarem altas significativas, como os chocolates, o conjunto da cesta mostra uma descompressão mais ampla em comparação com o cenário observado no ano passado.

“No agregado, o retrato para a Páscoa de 2026 é mais benigno que o de 2025. A inflação da cesta convergiu para um ritmo mais moderado, embora ainda haja pressões em categorias industriais mais sensíveis a custos de insumos”, afirma Maria Giulia.

Sazonalidade também pressiona preços

Além das tendências de inflação, outro fator que impacta os preços da Páscoa é a sazonalidade.

“Nos meses que antecedem a Páscoa, a demanda por chocolates, balas e açúcar aumenta significativamente, e isso costuma gerar ajustes de preços por fabricantes e varejistas”, explica a analista.

Esse movimento está ligado à dinâmica clássica de oferta e demanda e ajuda a explicar por que muitos produtos ficam ainda mais caros no período próximo à data.

Como economizar na Páscoa

Diante desse cenário, o planejamento financeiro pode ajudar a reduzir o impacto da inflação no orçamento familiar.

Segundo Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, existem algumas estratégias que podem ajudar o consumidor a gastar menos na data.

Uma delas é pesquisar e comparar preços, já que os valores dos chocolates podem variar bastante entre marcas e estabelecimentos.

Outra recomendação é planejar os gastos, definindo previamente um orçamento e quem realmente será presenteado, evitando compras por impulso.

Também é importante avaliar o custo-benefício, analisando rótulos e composição dos produtos, já que preço elevado nem sempre significa qualidade superior.

Por fim, a educadora sugere apostar em alternativas, caomo chocolates artesanais, lembranças personalizadas ou até experiências em família.

“A Páscoa pode ser celebrada de forma especial sem comprometer o orçamento. Planejamento, pesquisa e escolhas conscientes ajudam a equilibrar tradição e saúde financeira”, afirma Thaisa.

Fonte :- Páscoa mais cara: chocolate lidera alta e pressiona preços

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