Foto: Arquivo Agro em Campo
A alta no preço da batata em 2026 tem origem em uma combinação de fatores climáticos, produtivos e econômicos que afetaram diretamente a oferta do tubérculo no Brasil. O alimento, presente na mesa da maioria dos brasileiros, registrou aumento de 21,53% no IPCA no primeiro quadrimestre do ano, figurando entre os principais vilões da inflação alimentar no período.
Minas Gerais lidera a produção nacional de batata-inglesa, com cerca de 1,28 milhão de toneladas anuais, seguido pelo Paraná, com 778 mil toneladas, e São Paulo, com 688 mil toneladas. Regiões como o Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Cerrado Mineiro concentram grande parte da produção, abastecendo centrais estratégicas como a Ceagesp (SP) e a CeasaMinas (MG).
Entressafra e clima pressionam oferta
A batata é cultivada em três safras ao longo do ano, águas, secas e inverno. Isso é o que garante abastecimento contínuo, mas também cria períodos de maior vulnerabilidade. A transição entre a safra das águas e a das secas, ocorrida no início de 2026, já trouxe uma redução esperada na oferta.
No entanto, a situação foi agravada por condições climáticas adversas. A estiagem registrada entre março e abril, combinada com temperaturas elevadas nas regiões produtoras, comprometeu o desenvolvimento das lavouras. Como resultado, houve redução no calibre dos tubérculos e menor produtividade por hectare, impactando diretamente o volume disponível no mercado.
Além disso, o estresse hídrico e térmico favoreceu o aumento da incidência de pragas e doenças, prejudicando ainda mais a qualidade da produção. Fungos, nematoides e insetos encontram ambiente propício em condições de calor e umidade instável, especialmente em culturas subterrâneas como a batata.
Manejo e tecnologia ganham importância
Diante de cenários climáticos mais instáveis, o manejo adequado das lavouras se torna essencial para garantir produtividade. Segundo o especialista em nutrição vegetal Douglas Vaz-Tostes, do Grupo GIROAgro, o uso correto de fertilizantes e insumos é decisivo para reduzir perdas e manter o potencial produtivo.
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“O investimento em nutrientes adequados, na dose e no momento certos, aumenta a eficiência do sistema e protege a lavoura. Em condições adversas, isso deixa de ser diferencial e passa a ser essencial”, afirma.
O uso de bioinsumos também tem avançado como estratégia complementar. Produtos à base de organismos biológicos, como o Heterorhabditis bacteriophora, já são utilizados no controle de pragas como a larva-alfinete. Integrados ao manejo convencional, esses insumos contribuem para maior resiliência das lavouras e redução de perdas.
Efeito rebote da safra recorde
Outro fator determinante para a alta dos preços em 2026 está no desempenho do setor no ano anterior. Em 2025, a produção de batata foi marcada por alta produtividade, impulsionada por clima favorável e avanços tecnológicos, o que gerou excesso de oferta e queda acentuada nos preços ao produtor.
De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário expôs a fragilidade da cadeia produtiva, especialmente pela ausência de canais alternativos de escoamento, como a indústria. Com margens reduzidas, muitos produtores diminuíram investimentos em insumos e manejo para a safra seguinte.
Essa retração contribuiu para a queda na produtividade em 2026, intensificando os efeitos das adversidades climáticas e reduzindo ainda mais a oferta no mercado. Cenário que culminou na atual disparada dos preços ao consumidor.
Fonte :- Entenda o que está por trás da alta do preço da batata - Agro em Campo