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Reveladas as primeiras informações sobre o falso alerta da Defesa Civil Nacional
Publicado em 22/06/2026 13:27
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Reveladas as primeiras informações sobre o falso alerta da Defesa Civil Nacional

A Polícia Federal já está em posse dos primeiros e alarmantes documentos que detalham a invasão cibernética contra o sistema de monitoramento de desastres do país. A maior revelação da investigação até aqui aponta que o ataque foi realizado com o uso de credenciais de acesso de dois agentes da Defesa Civil do Pará. O crime, que gerou pânico generalizado e assustou boa parte da população brasileira na madrugada do último sábado, dia 20 de junho, consistiu no disparo em massa de alertas falsos de “nível Extremo” para milhões de telefones celulares.

De acordo com documentos oficiais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil encaminhados à PF, os criminosos exploraram o roubo ou vazamento dessas senhas legítimas para operar a plataforma Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP). O sistema é gerenciado pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e serve como a ferramenta oficial para que entes federativos comuniquem riscos iminentes à população. Os registros mostram 10 envios suspeitos entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado, configurando um “forte indício de uso indevido do sistema”.

Invasores usaram segunda conta após bloqueio da primeira

O monitoramento técnico do governo federal revelou uma dinâmica insistente por parte dos invasores perante as tentativas de contenção. O ataque foi dividido em dois momentos:

  • 23h41 e 23h45 (Sexta-feira): Os dois primeiros alertas falsos foram disparados. Imediatamente, a equipe de segurança identificou o rastro e bloqueou a credencial utilizada, confirmando que ela pertencia a um agente de proteção e defesa civil do Pará.
  • 01h20 às 01h23 (Sábado): Barrados na primeira tentativa, os criminosos acionaram uma segunda credencial de acesso, pertencente a outro servidor da mesma instituição paraense, conseguindo burlar o primeiro bloqueio e disparar mais oito alertas em um intervalo de apenas três minutos.

As mensagens continham termos absurdos e desconexos, como “misantropia”, “misantropo” e até avisos de um suposto “ataque alienígena”. Apesar do tom bizarro, o sistema processou os comandos sob a classificação de “nível Extremo” — o protocolo mais crítico do país, reservado para cenários reais onde a população precisa adotar medidas imediatas de proteção diante de tornados, alagamentos e deslizamentos.

Falha territorial e alcance nacional

O governo federal aponta um fator que “agrava a ocorrência” e expõe uma vulnerabilidade na arquitetura do sistema: embora os dois usuários identificados nos registros possuam perfil estrito para atuar no estado do Pará, os alertas foram direcionados a localidades completamente fora de suas áreas de autorização.

O documento enviado à PF sublinha textualmente: “Além do possível uso indevido de credenciais, há indício de que o agente conseguiu operar a plataforma sem a devida restrição territorial, emitindo ou tentando emitir alertas para áreas nas quais os usuários não deveriam possuir permissão de envio”.

Por conta dessa brecha, o susto foi pulverizado por várias regiões do país. As notificações atingiram capitais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Rio Branco (AC), além de estados inteiros como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

Contenção e inquérito

Para conter o problema, a plataforma nacional da Defesa Civil foi retirada totalmente do ar às 01h30 da manhã de sábado.

Em coletiva de imprensa, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, informou que milhões de pessoas foram impactadas pelo ataque. Segundo o secretário, dos 10 alertas fictícios enviados, nove foram transmitidos via cell broadcast (sistema que faz o celular emitir um sinal sonoro estridente e piscar a mensagem na tela, mesmo em modo silencioso) e um foi enviado por SMS.

A Polícia Federal agora trabalha para descobrir se as credenciais dos servidores paraenses foram obtidas por meio de técnicas de clonagem (phishing), se os computadores dos agentes foram hackeados ou se houve algum tipo de facilitação interna no órgão estadual.

 

Fonte :- Reveladas as primeiras informações sobre o falso alerta da Defesa Civil Nacional

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