Muitos problemas a enfrentar
A especialista em planejamento urbano ressalta ainda que os impactos do El Niño serão vividos de forma diferente, a depender de onde e em que condições a pessoa reside, circula ou mesmo trabalha nas cidades.
E afirma que, de forma geral, o planejamento urbano tem favorecido a especulação imobiliária que, por sua vez, valoriza o uso do solo em áreas menos sujeitas a alagamentos e deslizamentos de terra e com melhor infraestrutura, empurrando a população de baixa renda para os bairros mais precários e mais vulneráveis a esses riscos.
Outra questão importante apontada pela especialista é o problema da impermeabilização do solo e a importância de se construir alternativas de pavimentação como também zoneamento para controle de novas ocupações, além da urbanização adequada de favelas e assentamentos precários.
Para a professora Rossana, dá tempo de reduzir danos, não de reverter décadas de descaso em poucos meses, mas de mudar a forma como as cidades respondem, antes que o pior aconteça. O desafio, para ela, não é falta de solução técnica, é falta de prioridade política e de recursos direcionados a quem mais precisa.
"Considero antes de tudo que é uma política de proteção social, do contrário o El Niño severo vai continuar protegendo quem já está protegido e penalizando quem já está mais exposto"Rossana Brandão Tavares, professora do Departamento de Urbanismo da UFF
Efeitos já são sentidos e se agravam em setembro
O professor do professor do departamento de Engenharia Agrícola e do Meio Ambiente da UFF, Márcio Cataldi, explica que o El Niño já tem mostrado seus efeitos, com ocorrências registradas no mês de julho, como a ventania que atingiu o Rio de Janeiro e o litoral de São Paulo, deixando mortes e estragos, no fim de julho.
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