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Pedágio Free Flow: como motoristas podem se proteger de golpes?
Publicado em 26/08/2026 07:59
Notícias
Foto: Divulgação/Ecovias
Pedágio Eletrônico Free Flow operado pela concessionária Ecovias em São Paulo

O avanço do Free Flow, sistema de pedágio eletrônico que permite ao motorista passar pela rodovia sem parar em praças de cobrança, trouxe mais agilidade para as viagens. Ao mesmo tempo, a digitalização abriu espaço para um novo tipo de preocupação: os golpes virtuais que usam justamente a cobrança do pedágio como isca.

A situação já chamou a atenção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que alertou para fraudes envolvendo páginas falsas, boletos e cobranças inexistentes em nome do Free Flow.

Para Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar, o problema está no fato de que os criminosos exploram principalmente a pressa e a preocupação do motorista em resolver uma suposta pendência.

"A digitalização das cobranças traz mais praticidade, mas também cria oportunidades para golpes que exploram a urgência do motorista em regularizar uma suposta pendência."Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar

Mensagem inesperada deve acender o alerta

Entre as principais armadilhas estão mensagens enviadas por SMS, WhatsApp ou e-mail que simulam uma comunicação oficial. O motorista pode receber um suposto aviso de débito acompanhado de um link, boleto ou QR Code para fazer o pagamento.

Como motoristas podem se proteger de golpes?
 

O problema é que esses recursos podem levar a páginas clonadas, criadas para capturar informações pessoais, bancárias ou dados do veículo.

Segundo Sousa, criminosos também podem utilizar informações públicas ou dados obtidos em vazamentos para deixar a abordagem mais convincente.

Por isso, uma mensagem conter a placa do veículo ou outros dados verdadeiros não significa que a cobrança seja legítima.

A orientação da ANTT também é para que o usuário não confie em cobranças inesperadas recebidas por e-mail, aplicativos ou redes sociais e procure os canais oficiais da concessionária responsável.

Antes de pagar, confira por outro caminho

Um dos cuidados mais importantes é evitar que a própria mensagem recebida seja usada como caminho para confirmar ou quitar a suposta dívida.

O principal cuidado é não realizar o pagamento a partir de um link recebido de forma inesperada.Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar

 

Na prática, se chegar uma mensagem dizendo que existe uma tarifa pendente, o motorista deve fechar a comunicação e fazer uma consulta independente. Em vez de clicar no link recebido, deve procurar o site ou aplicativo oficial da concessionária responsável pela rodovia.

Desde 24 de agosto,  o aplicativo CNH do Brasil também passou a permitir a consulta de passagens registradas nos sistemas de Free Flow integrados. A ferramenta mostra informações como a data da passagem, a concessionária responsável, a situação da tarifa e o canal indicado para pagamento. O aplicativo, porém, não realiza a cobrança: ele direciona o usuário ao canal da concessionária.

Essa mudança é especialmente importante porque o motorista não precisa depender exclusivamente de uma mensagem recebida no celular para descobrir se possui uma pendência.

Erros e pressão pelo pagamento são sinais de golpe

Alguns detalhes podem ajudar a identificar uma tentativa de fraude.

Entre os sinais que merecem atenção estão erros de português, endereços eletrônicos estranhos, pressão para pagar imediatamente, descontos fora do padrão e pedidos excessivos de informações pessoais ou bancárias.

Na dúvida, o ideal é interromper a operação e confirmar a cobrança por um canal oficial.Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar

 

Outro ponto importante é observar para quem o dinheiro será enviado. Mesmo que uma página tenha aparência profissional, o destinatário do pagamento precisa ser conferido antes da conclusão da operação.

A ANTT já identificou golpes em que páginas falsas simulavam serviços de consulta do Free Flow e, depois de obter os dados do veículo, apresentavam uma cobrança inexistente e direcionavam o pagamento para os criminosos.

Dados do veículo também precisam de proteção

A preocupação não está apenas no dinheiro perdido em uma eventual fraude.

O funcionamento do Free Flow envolve sistemas capazes de identificar veículos por meio de placas, câmeras, sensores e, quando disponível, TAGs. Os sistemas também podem trabalhar com registros de passagem e informações relacionadas ao proprietário ou responsável pelo pagamento.

Para o especialista, quanto mais informações circulam sem controles adequados, maior pode ser a exposição.

É importante utilizar plataformas confiáveis, manter sistemas atualizados, restringir o acesso às informações e evitar compartilhar dados do veículo e do proprietário em canais não oficiais.Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar

 

Para empresas, o cuidado precisa ser ainda maior, já que uma única operação pode envolver dezenas ou centenas de veículos e diferentes funcionários.

Empresas precisam criar uma rotina de conferência

Em frotas, um funcionário pode receber uma cobrança e acreditar que precisa resolver imediatamente para evitar problemas com o veículo.

A recomendação de Sousa é que as empresas tenham procedimentos definidos para impedir que cada motorista ou colaborador faça pagamentos por conta própria.

Uma alternativa é centralizar a conferência dos débitos e determinar previamente quais canais podem ser utilizados para consultas e pagamentos.

A combinação entre processos internos, treinamento dos colaboradores e uso de dados confiáveis reduz consideravelmente a exposição a fraudes.Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar

 

O controle organizado da frota também ajuda a empresa a identificar quais veículos passaram pelos trechos com Free Flow e quais possuem eventuais pendências.

Não pagar também pode trazer problemas

Embora a preocupação com golpes seja importante, o motorista não deve deixar de pagar uma tarifa legítima por medo de cair em uma fraude.

O Free Flow continua funcionando e a tarifa permanece obrigatória. A consulta e o pagamento devem ser feitos pelos canais oficiais disponibilizados pela concessionária.

Atualmente, o aplicativo CNH do Brasil também facilita essa verificação ao reunir informações de sistemas integrados e indicar o canal adequado para regularização.

O especialista destaca que acompanhar a situação do veículo é uma forma de evitar que uma pendência legítima seja descoberta somente quando surgir algum problema.

O proprietário deve acompanhar regularmente a situação do veículo e regularizar eventuais pendências pelos canais oficiais.Sergio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar

 

Histórico do veículo também merece atenção

A preocupação pode se estender para quem pretende comprar ou vender um automóvel.

Isso porque uma pendência vinculada ao veículo pode acabar surpreendendo o proprietário ou comprador posteriormente. Por isso, consultar a situação e o histórico antes de uma negociação é uma medida adicional de segurança.

Segundo Sousa, a análise do histórico veicular pode funcionar como uma ferramenta complementar para identificar registros que mereçam atenção antes de uma negociação ou movimentação do veículo.

No caso do Free Flow, portanto, a principal regra é simples: não confiar automaticamente na mensagem que chega até o celular.

O motorista deve consultar a existência da cobrança por conta própria, utilizar os canais oficiais, conferir os dados antes de pagar e evitar fornecer informações pessoais ou bancárias por links recebidos de terceiros.

 

Fonte :- Pedágio Free Flow: como motoristas podem se proteger de golpes?

 
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