etanol posto© Motor1.com Brasil
ANP estuda mudar cor e sabor do etanol combustível para dificultar seu uso em bebidas clandestinas
O etanol hidratado vendido nos postos de combustíveis brasileiros poderá ganhar cor verde e, em uma segunda etapa, sabor extremamente amargo. A mudança faz parte de um conjunto de medidas estudadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para dificultar o desvio do produto e sua utilização na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas.
A Diretoria da ANP aprovou o relatório sobre o tema no último dia 2 de setembro. O estudo estabelece duas alternativas: uma provisória, com possibilidade de implantação em 2027, e outra considerada definitiva, mas que ainda dependerá de testes para comprovar que não provoca danos aos componentes dos veículos nem interfere nas emissões dos motores.

Chevrolet Onix ECO tem motor turbo rodando apenas com etanol© Foto de: Chevrolet
Etanol verde pode chegar primeiro
A primeira medida proposta é a adição obrigatória de um corante verde ao etanol hidratado combustível ainda nas usinas. Com a alteração visual, o produto poderia ser identificado com maior facilidade caso fosse desviado para a fabricação irregular de bebidas. Pela previsão inicial da ANP, a mudança poderá ser Para
tornar a adição do corante obrigatória, a agência iniciará a revisão da Resolução ANP nº 907, de 2022. O processo ainda terá de passar por análise de impacto regulatório ou nota técnica, consulta e audiência públicas e, posteriormente, por deliberação da Diretoria Colegiada. A norma também deverá estabelecer um prazo de transição para a adaptação de produtores, distribuidores e demais empresas do setor.
Ou seja, isso significa que o etanol não mudará de cor imediatamente. A ANP pretende iniciar agora o processo regulatório para que a solução provisória possa chegar ao mercado no próximo ano, desde que as etapas previstas sejam concluídas e a revisão da resolução seja aprovada.

Vibra etanol grid aditivado (2)© Motor1.com Brasil
Sabor amargo ainda depende de testes
A solução apontada como definitiva é a adição obrigatória de benzoato de denatônio ao etanol hidratado combustível. A substância possui sabor extremamente amargo e permitiria que o consumidor percebesse a adulteração caso o combustível fosse utilizado ilegalmente na produção de uma bebida alcoólica.
O benzoato de denatônio já é empregado em itens de higiene e limpeza que contêm etanol, justamente para evitar a ingestão acidental ou diferenciar esses produtos de bebidas. Segundo a ANP, no entanto, não há precedentes de sua aplicação em etanol destinado ao funcionamento de motores, o que exige uma nova fase de avaliações técnicas.
A agência realizará testes mecânicos para verificar se a substância pode causar efeitos adversos em componentes do veículo ou alterações relevantes nas emissões. Como esse trabalho ainda será desenvolvido, não há prazo definido para que o etanol de sabor amargo comece a ser comercializado nos postos brasileiros.

Posto de combustivel_Agência Brasil© Motor1.com Brasil
Mudança responde a casos de bebidas clandestinas
O estudo atende à Resolução nº 6 de 2026 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), criada após os casos de desvio de etanol combustível para a fabricação clandestina de bebidas registrados no Brasil em 2025. A iniciativa também responde a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), que realizou uma auditoria sobre a prevenção e a repressão à adulteração de bebidas alcoólicas e os riscos à saúde da população.
Para chegar às duas alternativas, a ANP reuniu produtores de etanol, distribuidoras de combustíveis, fornecedores de corantes, empresas de inspeção da qualidade, representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e integrantes da Câmara Setorial da Cachaça. Também foram realizados testes físico-químicos no Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da própria agência.
O relatório foi encaminhado em 5 de setembro ao Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, e ao TCU. A proposta surge em um momento no qual o etanol continua tendo papel central na matriz brasileira de transportes, tanto abastecido diretamente nos carros flex quanto misturado à gasolina. Mesmo com o crescimento dos eletrificados, o consumo de combustíveis líquidos ainda avança no Brasil.

Chevrolet Onix ECO tem motor turbo rodando apenas com etanol© Foto de: Chevrolet
O etanol verde ou amargo pode prejudicar o carro?
Por enquanto, a ANP não identificou e tampouco descartou possíveis efeitos do benzoato de denatônio nos veículos. É justamente por essa razão que a solução definitiva não recebeu um prazo de implantação. Os testes deverão analisar sua interação com motores, sistemas de alimentação, componentes do veículo e emissões antes de qualquer mudança obrigatória.
O corante verde, por outro lado, foi apresentado como alternativa provisória após testes físico-químicos. Ainda assim, sua adoção dependerá da revisão regulatória e de consulta ao mercado. Até a conclusão do processo, o etanol hidratado disponível nos postos continuará com as especificações atuais.
A cautela é importante porque qualquer mudança na composição dos combustíveis precisa ser validada pela indústria automotiva. O próprio governo conduz estudos técnicos antes de elevar os percentuais de biocombustíveis no País, como ocorre com a possibilidade de aumentar para 35% a presença do etanol na gasolina. Neste caso, porém, o objetivo não é alterar o desempenho energético do combustível, mas criar uma barreira contra seu uso criminoso em bebidas clandestinas.
Veja também
Fonte :- Etanol pode mudar de cor e sabor nos postos em 2027