O novo Estrelas da Casa se ergue do fundo do poço, mas ainda precisa de ajustes
A terceira temporada do Estrelas da Casa chegou ao fim na quinta-feira (24) e premiou o grupo misto de Pagode com Uel, David Natel, Hanaya e Vick Nunes com R$ 460 mil. Apesar do reality da Globo ter repercutido na web e melhorado --bastante, por sinal-- em relação às esquecíveis edições anteriores, o formato pode entregar ainda mais.
Ainda não há uma confirmação oficial de uma quarta temporada. Levando em consideração a aposta do SBT ao colocar o The Voice Brasil aos domingos e o sucesso de reality shows musicais na gringa, pode valer uma insistência no programa formador de bandas da Globo.
Porém, é necessário corrigir algumas rotas tomadas ao longo da atração neste ano para se chegar a um resultado mais atrativo para a TV, e relevante no mercado da música brasileira.
Confira o que a Globo pode manter ou reformular para uma possível quarta temporada do Estrelas da Casa:
Formação de bandas: Manter
Após duas temporadas fracas com foco nos artistas solo, a aposta em formar bandas foi certeira. A reformulação ajudou o programa a engajar nas redes sociais, com uma "mãozinha" de fatores que vão da curiosidade ao sucesso de formatos parecidos no exterior.
As apresentações musicais se dividiram entre as boas e as duvidosas, mas que ainda divertiram justamente pela baixa qualidade.
Para a próxima temporada, talvez valha investir em mais dinâmicas de convivência. Tretas, alianças e situações forçadas ajudam a apimentar a formação dos grupos com participação direta dos cantores.
Casting: Mudar
Embora a Globo tenha achado artistas talentosos, ficou evidente que muitos queriam apenas a plataforma da emissora para divulgação. Como pontuado pelo Notícias da TV na estreia, muitos dos participantes tinham orientação para carreira solo.
Em vez de buscar artistas mais consolidados e até conhecidos, como foi o caso do finalista Bruno Gadiol, a produção de elenco pode olhar com bons olhos para calouros, com o talento ainda em desenvolvimento. Para isso, claro, seria necessário mais tempo de programa e gravações para polir as joias brutas.
Anitta: Manter, com certeza
A conselheira da temporada foi a melhor coisa do Estrelas da Casa 3. Em todos os sentidos. Para a Globo seria maravilhoso segurar Anitta pela questão comercial -- já que o único patrocinador do programa veio com ela -- e de engajamento.
Para o público, a cantora chamou atenção com uma pérola atrás da outra. Mas não foi só de palhaçada que ela viveu no reality. Aos participantes, Anitta deu dicas valiosas. As broncas, mesmo as mais fortes, tinham a intenção de ensinar.
Para a quarta temporada, Belo e Junior Lima precisariam agir mais como a voz de Show das Poderosas. Os dois técnicos foram muito amigões da galera e ficaram na sombra de Anitta durante toda a exibição do programa.
Pop x Pagode: Mudar
O reality colocar frente a frente um grupo de Pop e um de Pagode na final não mostrou a que veio. Cantar e performar pagode é muito mais simples do que executar música pop ao vivo.
Ao longo de toda a temporada, os comandados de Belo pareciam muitos passos à frente da equipe de Junior. E não era uma discrepância no talento, e sim no que o público via.
Enquanto o grupo Pop precisava pensar em coreografias mais elaboradas e até cantar em inglês, o Pagode precisava harmonizar e não desafinar. Além do fato de, hoje, o gênero musical de Belo ser mais popular que o rival.
Para uma possível quarta temporada, talvez valha investir em apenas um dos gêneros, ou pelo menos separar as disputas e ter dois vencedores.
Ana Clara: Manter
Apesar de algumas gafes e momentos de dispersão no ao vivo, o Estrelas da Casa é a cara de Ana Clara. A ex-BBB esbanjou simpatia e tomou o programa de vez para ela.
Um possível futuro para o programa depende exclusivamente da permanência da apresentadora no comando.
Palestras: Mudar
Em cima do palco, o Estrelas da Casa aconteceu. Entre performances boas e ruins, os números do Pop e do Pagode cumpriram o papel e devolveram a música para o horário nobre da Globo.
Além de melhorar nas dinâmicas de convivência, o reality precisa, urgentemente, mudar as imersões de indústria. Para os participantes, os ensinamentos devem ter sido muito valiosos. Para quem acompanhava de casa, era um clamor desesperado pelo botão de mudo no controle remoto.
Entre as participações de nomes como Kondzilla, Hugo Gloss e outros, as intervenções de especialistas com o elenco beiraram um coach corporativo maçante. É válido trazer nomes externos para agregar ao programa, mas a abordagem precisa dialogar também com o telespectador.
Fonte :- O novo Estrelas da Casa se ergue do fundo do poço, mas ainda precisa de ajustes