Japão bate recorde histórico de turistas estrangeiros
O Japão nunca recebeu tanta gente. Em 2025, o país contabilizou 42.683.600 visitantes internacionais, alta de 15,8% em relação a 2024, segundo a Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO). É a primeira vez na história que o arquipélago ultrapassa a marca de 40 milhões de turistas estrangeiros em um único ano, deixando para trás com folga os números pré-pandemia.
O dinheiro acompanhou o movimento. Os gastos dos visitantes chegaram a 9,5 trilhões de ienes, outro recorde para o turismo japonês. A Coreia do Sul liderou o ranking de mercados emissores, com cerca de 9,5 milhões de viajantes, seguida por China, Taiwan, Hong Kong e Estados Unidos.
Por que todo mundo quer ir ao Japão A explosão tem algumas explicações bem claras. A primeira é o câmbio. O iene passou os últimos anos desvalorizado, o que transformou um destino historicamente caro em uma viagem muito mais acessível para quem chega com dólar ou euro. Hotéis, refeições, transporte e compras ficaram mais baratos para o estrangeiro, e isso fez o Japão entrar no radar de um público que antes nem considerava a viagem.
A segunda é a força cultural do país. Anime, mangá, games, gastronomia e design japonês nunca estiveram tão presentes no cotidiano de quem vive fora da Ásia. Para muita gente, visitar Tóquio virou quase uma peregrinação. Some a isso a fama de destino seguro, limpo e organizado, com um transporte público que funciona como relógio, e a equação fica fácil de entender.
Também pesa a ampliação da malha aérea. Novas rotas e mais frequências ligando o Japão à Europa, à Oceania e às Américas ajudaram a tornar o destino mais viável, inclusive com conexões competitivas para quem sai do Brasil.
O outro lado do sucesso Tanta demanda tem um preço, e o Japão já sente os efeitos do overtourism. Kyoto se tornou o símbolo desse problema. Em Gion, o tradicional bairro das gueixas, moradores passaram a restringir o acesso a vielas privadas depois de anos de turistas invadindo propriedades e perseguindo maikos para fotos. A cidade também endureceu as taxas de hospedagem para tentar equilibrar a conta.
No Monte Fuji, a escalada pela trilha mais popular passou a ter cobrança de taxa e limite diário de pessoas, uma resposta às multidões que lotavam o caminho até o cume. Em Fujikawaguchiko, a cidade chegou a erguer uma barreira para bloquear a famosa vista do Fuji sobre uma loja de conveniência, que havia virado ponto de aglomeração nas redes sociais.
O debate no país hoje não é mais como atrair turistas, e sim como distribuí-los melhor, incentivando visitas a regiões menos conhecidas e fora dos períodos de pico.
2026 começa a mudar o cenário Depois do recorde, o ritmo desacelerou. De janeiro a agosto de 2026, o Japão recebeu 27,6 milhões de visitantes, queda de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Só em agosto, a retração foi de 9,6%.
O principal motivo é político. Desde novembro de 2025, após declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, o governo chinês passou a recomendar que seus cidadãos evitem viagens ao Japão, além de reduzir voos entre os dois países. O impacto foi imediato: no primeiro semestre de 2026, o número de turistas chineses caiu mais de 56%.
Ainda assim, o apetite pelo Japão segue enorme. Coreanos e taiwaneses estão viajando em volume recorde, e em agosto 14 mercados emissores bateram recordes históricos para o mês, entre eles México, Itália e Espanha. Ou seja, o Japão continua em alta, apenas com um público mais diversificado do que antes.
Dica do Vitor Se o Japão está nos seus planos, fuja dos períodos mais disputados, como o auge das cerejeiras, entre o fim de março e o início de abril, e o pico das folhas vermelhas em Kyoto, em novembro. Maio, junho e o começo de outubro costumam entregar clima agradável com bem menos gente. Outra estratégia que eu sempre recomendo é sair do eixo Tóquio, Kyoto e Osaka. Cidades como Kanazawa, Takayama e Nara, ou regiões como Kyushu e Tohoku, mostram um Japão autêntico, com templos, onsens e gastronomia de altíssimo nível, sem as filas. E nos lugares mais famosos, como o Fushimi Inari, chegue cedo, logo ao amanhecer. A experiência muda completamente.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do iG
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