Arte: Agro em Campo
Parceria entre Vivo e Starlink leva conexão via satélite a celulares em áreas sem cobertura móvel, com acesso promocional sem custo adicional para clientes elegíveis
A Starlink começou a conectar celulares diretamente aos seus satélites no Brasil. A tecnologia entrou em operação comercial nesta segunda-feira (26), em parceria com a Vivo, e permite usar smartphones em regiões onde não existe cobertura da rede móvel convencional.
Inicialmente, o serviço será oferecido sem custo adicional para clientes elegíveis da Vivo, em caráter promocional. A conexão ocorre diretamente entre o celular e os satélites da Starlink e dispensa a instalação da tradicional antena da empresa.
Na prática, os satélites funcionam como uma extensão da rede terrestre. Quando um celular compatível fica sem cobertura convencional, ele pode buscar o sinal vindo do espaço.
Por enquanto, porém, a novidade não transforma qualquer smartphone em um aparelho com internet de alta velocidade disponível em qualquer lugar.
Celular precisa enxergar o céu
Para estabelecer a comunicação, o aparelho precisa estar em uma área aberta e com boa visibilidade do céu. Construções, túneis e outros obstáculos podem dificultar ou impedir a conexão.
Além disso, o usuário precisa ter um smartphone compatível e atualizado, além de chip ou eSIM habilitado para redes 4G ou 5G.
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Quando a conexão ocorre, o aparelho passa a identificar a rede como “Vivo Starlink”.
A tecnologia utilizada é conhecida como direct-to-device, ou D2D. Nesse sistema, o próprio celular se comunica com satélites em órbita sem depender de uma antena instalada pelo usuário.
Tecnologia pode ajudar em áreas rurais
A conexão direta por satélite chama atenção principalmente fora dos grandes centros urbanos.
Embora as redes móveis alcancem a maior parte da população brasileira, extensas áreas do território ainda enfrentam dificuldades de cobertura.
Fazendas, estradas rurais, pastagens e regiões distantes das cidades estão entre os locais onde a construção de torres pode ser mais difícil ou economicamente pouco atraente.
Nesse cenário, a comunicação direta com satélites pode funcionar como complemento à infraestrutura terrestre.
Para quem trabalha no campo, isso pode significar a possibilidade de enviar mensagens ou consultar mapas em determinados pontos onde hoje o celular perde a rede.
Ainda assim, a tecnologia não resolve todos os problemas de conectividade rural.
Serviço ainda tem limitações
Nesta primeira fase, a conexão está restrita a determinados aplicativos e funções.
Entre os recursos previstos estão mensagens por SMS, RCS, iMessage e Google Mensagens, além de aplicativos compatíveis de mensagens e mapas.
Portanto, o lançamento não deve ser confundido com uma conexão convencional de internet móvel 4G ou 5G fornecida integralmente pelo satélite.
A Starlink prevê ampliar a capacidade da tecnologia com novas gerações de satélites. Entretanto, a evolução do serviço depende da infraestrutura espacial, das operadoras e das autorizações regulatórias.
Além disso, o desempenho pode variar conforme a disponibilidade dos satélites e as condições do local.
Milhões de celulares podem acessar a rede
A nova conexão alcança inicialmente cerca de 50 milhões de clientes da Vivo, segundo informações divulgadas no lançamento.
Durante os testes realizados antes da estreia comercial, aproximadamente 7 milhões de brasileiros chegaram a se conectar à rede formada pela Vivo e pela Starlink.
O acesso, contudo, depende do plano, do aparelho e das condições estabelecidas pela operadora.
A Vivo oferece inicialmente um período sem cobrança adicional para determinados clientes. Depois dessa fase, as condições comerciais poderão mudar.
Starlink enfrenta concorrência
A conexão direta entre satélites e celulares também começa a atrair outras empresas para o Brasil.
A americana AST SpaceMobile disputa esse mercado globalmente e já estabeleceu acordos com operadoras brasileiras.
Claro e TIM também receberam autorização da Agência Nacional de Telecomunicações para realizar testes envolvendo conexão direta entre celulares e satélites da AST.
Por isso, a Starlink não estará sozinha na disputa para levar cobertura a regiões onde as torres convencionais não chegam.
A própria Anatel acompanha o desenvolvimento do D2D no país e estabeleceu ambiente regulatório para testes da tecnologia.
Satélite vira uma espécie de torre no espaço
A principal mudança está justamente na forma como o celular encontra uma rede.
Na telefonia convencional, o smartphone precisa alcançar uma estação terrestre. No D2D, satélites preparados para a tecnologia assumem parte dessa função quando a cobertura terrestre desaparece.
Por isso, a solução ganha relevância em um país de dimensões continentais como o Brasil.
No campo, entretanto, a conexão direta pelo celular não substitui necessariamente a internet instalada na propriedade.
Sistemas de gestão, câmeras, computadores, máquinas conectadas e outros equipamentos podem continuar exigindo conexões de maior capacidade.
A novidade resolve outro problema: manter determinados serviços do smartphone funcionando em lugares onde antes não havia sinal.
Assim, a chegada da Starlink diretamente aos celulares abre uma nova frente para a conectividade rural brasileira. Ao mesmo tempo, a entrada de concorrentes deverá definir até onde essa cobertura poderá chegar e quais serviços estarão disponíveis nos próximos anos.
Fonte :- Vivo e Starlink lançam serviço de internet via satélite grátis - Agro em Campo