Flávio Bolsonaro usou brasão antigo do Brasil em versão da carta
A carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL) após fugir do Brasil e chegar aos Estados Unidos teve o arquivo em PDF produzido com auxílio de inteligência artificial, segundo uma ferramenta da Adobe. A análise identificou o uso do modelo GPT-6, da OpenAI, na criação do documento, mas não permite afirmar que o texto tenha sido escrito pelo ChatGPT.
A informação foi publicada pelo Metrópoles na quarta-feira (28), após a verificação das credenciais digitais do arquivo distribuído à imprensa pelo senador. Flávio desembarcou na região de Miami no mesmo dia, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, depois de sair do Brasil e passar pela Argentina.
A carta chamou atenção também por mudanças no conteúdo e por um erro no brasão da República usado na primeira versão do documento. Inicialmente, Flávio se apresentava como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Posteriormente, alterou a declaração e passou a se definir como o “líder do Brasil”.
O que a ferramenta da Adobe identificou
A verificação foi feita por meio do Adobe Content Authenticity, ferramenta que permite consultar as chamadas Content Credentials, credenciais digitais que registram informações sobre a origem e o histórico de determinados arquivos.
No caso do PDF atribuído a Flávio Bolsonaro, os dados indicaram o uso do modelo GPT-6 na produção do arquivo.
Entretanto, a identificação se refere à criação ou exportação do documento, não necessariamente à elaboração do conteúdo escrito. Portanto, o resultado não comprova que o senador tenha pedido ao ChatGPT para redigir a carta ou que todas as declarações do texto tenham sido produzidas por inteligência artificial.
O registro permite identificar uma ferramenta associada à produção do arquivo, mas não determina sozinho quem escreveu o texto nem como o conteúdo foi elaborado.
Carta teve mudança na declaração sobre a Presidência
Um dos pontos que chamaram a atenção na carta foi a alteração na forma como Flávio se apresentou politicamente.
Na primeira versão, o senador se declarava o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Depois, a formulação foi modificada, e ele passou a se apresentar como o “líder do Brasil”.
A carta foi divulgada três dias após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25).
A diferença entre as duas versões é relevante porque a primeira declaração reivindicava diretamente a condição de presidente eleito, enquanto a segunda adotava uma formulação política sem repetir literalmente essa reivindicação.
A alteração não esclarece a motivação da mudança. Para determinar por que o texto foi modificado, seria necessário um esclarecimento do próprio senador ou de sua equipe.
Primeira versão tinha brasão antigo do Brasil
Outro problema identificado na versão inicial foi o uso de um brasão da República que não correspondia ao símbolo oficial atual.
A imagem utilizada era a versão que vigorou até 1967, período em que o nome oficial do país era grafado como “Estados Unidos do Brazil”.
O erro chamou a atenção por estar em um documento político distribuído à imprensa em meio à repercussão da viagem de Flávio para os Estados Unidos.
A existência de versões diferentes da carta e o uso de um símbolo histórico reforçaram os questionamentos sobre a elaboração e a revisão do material antes de sua divulgação.
Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil e está nos Estados Unidos
Flávio chegou à região de Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas. A família entrou na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves antes de embarcar em um jatinho particular que fez escala técnica em Guayaquil, no Equador, rumo à Flórida.
A saída do Brasil ocorreu em meio a questionamentos sobre o cumprimento de determinações judiciais feitas pelo ministro Alexandre de Moraes relacionadas aos documentos de viagem do senador.
Havia uma ordem para entrega dos passaportes e restrição à saída do país, uma vez que a Polícia Federal acreditava que ele poderia tentar fugir em meio as investigações dos casos envolvendo o advogado Willer Tomaz e a lavagem de dinheiro de apostas, e o financiamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A viagem também provocou dúvidas sobre como Flávio pretende conduzir sua atuação política a partir do exterior.
Antes de deixar o país, o senador criticou a decisão judicial, classificou a apreensão dos documentos como perseguição e afirmou que continuaria atuando na oposição.
A análise da Adobe sobre o PDF acrescentou um novo elemento à repercussão da carta, mas não comprova quem escreveu o texto ou qual foi a participação de ferramentas de inteligência artificial em sua elaboração.
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