Alec Brenner, Universidade de Harvard/Universidade de Yale
O Pilbara Craton hoje parece inativo, mas suas rochas registram antigos movimentos e rotações dos continentes há 3,5 bilhões de anos
Geólogos identificaram evidências diretas de movimentação de placas tectônicas na Pilbara Craton, Austrália Ocidental, há 3,5 bilhões de anos, analisando milhares de amostras magnéticas em estudo publicado em 19 de março de 2026 para entender o deslocamento dos continentes no início da história da Terra.
A Pilbara Craton, atualmente geologicamente estável, apresenta sinais de deslocamentos rápidos e rotações que ocorreram há bilhões de anos.
Os resultados mostraram que já existiam limites entre placas tectônicas e que a litosfera não formava uma camada contínua sobre o planeta. “Estamos vendo movimento de placas tectônicas, o que exige que houvesse limites entre elas e que a litosfera não fosse uma casca única ao redor do globo, como muitos argumentaram antes”, afirmou Dr. Alec Brenner, pesquisador da Yale University e líder do estudo.
Com 931 amostras de mais de 100 locais diferentes, a equipe analisou a orientação magnética das rochas desde seu resfriamento, identificando mudanças ao longo do tempo. Os dados indicam que a região do Pilbara se deslocou 24 graus de latitude em 30 milhões de anos, com velocidade de até 47 centímetros por ano.
O esforço necessário para analisar todas as amostras foi registrado. “Demagnetizar milhares de núcleos leva anos, e nós realmente arriscamos muito. Mas valeu a pena! Os resultados superaram nossos sonhos mais ousados”, afirmou Dr. Alec Brenner, pesquisador da Yale University e pós-doutorando.
Além do movimento linear, o Pilbara também girou mais de 100 graus nesse período. Em contraste, regiões como a Barberton Greenstone Belt, na África do Sul, tiveram pouco ou nenhum deslocamento.
O estudo, publicado na revista Science em 2026, sugere que a Terra primitiva poderia ter tido uma litosfera em que os continentes se moviam apenas em episódios isolados, diferente do padrão atual, no qual as placas tectônicas se deslocam continuamente.
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