O consumidor que chega ao supermercado encontra uma situação aparentemente contraditória. O boi ficou mais caro no campo, mas esse aumento ainda não apareceu com a mesma intensidade no preço da carne colocada no carrinho.
Em agosto, inclusive, alimentação e bebidas ficaram 0,34% mais baratas, segundo o IPCA. No caso das carnes, porém, o movimento foi de alta no mês.
A questão agora é saber por quanto tempo essa diferença pode continuar.
Na origem, a arroba do boi gordo vem sustentada por uma oferta mais ajustada de animais e pela demanda. Se essa pressão persistir, frigoríficos e varejistas terão menos espaço para absorver os custos sem algum repasse.
Boi mais caro não significa carne subindo igual
Foto: Embrapa – Paulo Pacheco
É justamente aí que uma confusão comum precisa ser evitada.
O consumidor não compra arroba. Compra patinho, acém, contrafilé, músculo, picanha ou carne moída.
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Entre uma coisa e outra existe um caminho que passa pelo frigorífico, rendimento da carcaça, desossa, transporte, atacado e supermercado.
Por isso, se o boi sobe 10%, não significa que o quilo do contrafilé ficará automaticamente 10% mais caro.
Há ainda diferenças entre os próprios cortes. O supermercado pode segurar o preço de produtos com maior giro e recuperar margem em outros. Promoções também entram nessa conta.
No fim, quem determina até onde o preço pode avançar é, em grande parte, o próprio consumidor.
Trocar o corte pode fazer diferença
Foto: unsplash
Para uma família, o impacto da carne no orçamento depende tanto do preço quanto da escolha feita diante do balcão.
Contrafilé e alcatra podem ser substituídos em determinadas refeições por patinho. Já acém, músculo e peito atendem preparações diferentes e, normalmente, permitem reduzir o custo da compra.
A carne moída merece atenção especial. Seu preço depende do corte utilizado e, por isso, pode variar bastante de um estabelecimento para outro.
Assim, comparar preço por quilo, e não apenas o valor final da bandeja, continua sendo uma das maneiras mais simples de economizar.
Frango e ovos entram na conta
Foto: Embrapa – Paulo Lanzetta
Quando a carne bovina encarece, a substituição por outras proteínas costuma ganhar força.
Frango, carne suína e ovos passam a disputar ainda mais espaço no carrinho. Porém, essa troca também precisa considerar os preços do momento.
Isso porque as proteínas não caminham sempre em direções opostas. Dependendo de milho, farelo de soja, oferta de animais e consumo, frango e suíno também podem subir.
Para uma família, portanto, a melhor estratégia não é simplesmente abandonar a carne bovina. É comparar o custo das proteínas disponíveis naquela semana.
Quanto a carne pesa na compra de uma família?
Foto: Divulgação – Empório 481
Aqui aparece uma dificuldade importante: não existe um preço nacional único para o quilo da carne.
O valor muda entre cidades, redes de supermercados, açougues e até bairros. Uma promoção também pode produzir diferenças grandes dentro da mesma cidade.
Por isso, estabelecer que uma família brasileira gasta determinado valor mensal com carne daria uma falsa precisão.
Uma referência mais útil é pensar na quantidade.
Uma família de quatro pessoas que compre 8 kg de carne bovina por mês, por exemplo, gastará R$ 320 se pagar uma média de R$ 40 pelo quilo. Se a média subir para R$ 44, a mesma compra passa para R$ 352.
São R$ 32 a mais no mês e R$ 384 em um ano.
O exemplo não representa o consumo médio oficial das famílias. Ele serve para mostrar como pequenas variações no quilo ganham peso quando se repetem durante o ano.
A pressão agora vem do campo
É nesse ponto que o comportamento do boi precisa ser acompanhado.
Se a oferta de animais continuar mais apertada e o preço pago pelos frigoríficos avançar, parte do aumento poderá seguir pela cadeia.
Por enquanto, porém, não há base para afirmar que uma disparada generalizada da carne já chegou ao consumidor. O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32% no índice geral e queda de 0,34% em alimentação e bebidas, embora as carnes tenham avançado no mês.
Para quem faz compras, a preocupação é muito mais simples.
Pouco importa quanto vale uma arroba quando o carrinho está sendo montado. O número que realmente pesa no orçamento está na etiqueta.
E, nos próximos meses, é justamente essa etiqueta que merece atenção.
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